Barreira do preço exclui maioria

A realidade do mercado de saúde suplementar no Brasil é nítida: apenas 25% da população possui plano de saúde. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) apontam 53,1 milhões de vínculos em maio de 2026, mantendo a taxa de cobertura estável. Isso significa que sete em cada dez brasileiros dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) ou ficam desamparados.

O perfil desses beneficiários revela uma forte dependência do emprego formal. Cerca de 73% dos contratos são coletivos empresariais, enquanto apenas 8,5 milhões são individuais ou familiares. A exclusão atinge diretamente autônomos, informais e quem trabalha em empresas sem benefício.

Desejo vs. Poder de compra

A falta de cobertura não decorre de indiferença. Pesquisa do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) com Vox Populi indica que 61% dos sem-plano desejariam contratar um. O obstáculo é financeiro: 53% citam preço elevado e 49% afirmam impossibilidade econômica.

Ivete Gama, CMO da Ultra Academia, destaca que a saúde integral foi tratada como privilégio. Somar academia, nutricionista, psicólogo e plano médico torna-se inviável para a maioria das famílias, criando uma barreira de entrada para o autocuidado preventivo.

Custo e fragmentação do cuidado

Para o ciclo 2026-2027, a ANS fixou teto de reajuste de 5,11% para planos individuais, o menor da modalidade. Contudo, essa proteção alcança minoria, pois a massa está em contratos empresariais com regras distintas. Além do valor, a fragmentação encarece o bem-estar.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que 31% dos adultos mundiais não praticam atividade física suficiente. No Brasil, a dificuldade de integrar exercício, nutrição e suporte emocional em uma única rotina explica o abandono precoce de hábitos saudáveis.

Soluções integradas ganham força

Diante desse cenário, redes como a Ultra Academia lançaram o Ultra 360, com mensalidade a partir de R$ 187. O modelo agrega telemedicina, nutrição e psicologia ao fitness, funcionando como ecossistema complementar ao SUS e planos regulados.

Com mais de 300 mil alunos em 16 estados, a estratégia reflete uma tendência de mercado: academias evoluem para centros de saúde acessíveis. A proposta visa conectar necessidades físicas e mentais, democratizando o acesso a uma vida ativa sem depender de múltiplos fornecedores caros.