Fase de maturação e lucratividade

A 99Food, braço de delivery da 99, consolida sua estratégia pós-retorno ao mercado brasileiro. Pouco mais de um ano após a reinserção das operações em junho de 2025, a empresa sinaliza que o momento é de estabilização financeira. Segundo Bruno Rossini, diretor sênior de comunicação, o objetivo central agora é garantir a sustentabilidade das praças onde o serviço já está ativo.

Dos 120 municípios onde a plataforma opera, cerca de 30 já alcançaram o chamado "no azul", gerando lucro líquido. A companhia não revela quais cidades atingiram esse marco, mas confirma que se trata de localidades com trajetória mais longa na operação, entre 9 e 10 meses. Para a gestão, esse período de maturação é essencial para validar a longevidade do modelo de negócios.

Expansão agressiva para interior

Não basta operar com lucro; é preciso crescer. A 99Food prepara uma nova rodada de expansão, prevendo a entrada em aproximadamente 35 novas cidades até o final de 2026. O foco geográfico muda dos grandes centros tradicionais para capitais emergentes e municípios metropolitanos com população entre 200 mil e 250 mil habitantes.

Luis Felipe Gamper, diretor sênior de logística, justifica a movimentação: a abertura de novas praças atrai clientes adicionais e ativa entregadores, criando um ciclo virtuoso que sustenta o negócio a longo prazo. Com isso, a 99 soma hoje 85 milhões de usuários ativos no Brasil, reforçando sua base instalada como alavanca estratégica.

Concorrência e inovação forçada

O cenário de delivery no Brasil vive uma guerra intensa. Enquanto a 99Food busca escala, concorrentes como a Keeta (braço internacional da Meituan) também retomam planos de expansão, agora mirando estados como Mato Grosso, Goiás, Paraná e Minas Gerais. Fora dos grandes polos, plataformas regionais como a aiqfome, do Grupo Magalu, mantêm forte presença com mais de 30 mil restaurantes parceiros.

Igor Remigio, CEO da aiqfome, defende um mercado plural. "Com o tamanho do Brasil, não pode haver dominância única. A concorrência é saudável", afirma. Já Luis Felipe Gamper enxerga a rivalidade como estímulo. Ele cita São Paulo como um "laboratório" onde a pressão competitiva eleva o nível de atendimento e inovação de todas as empresas envolvidas.

Jurisprudência e clareza contratual

A disputa por market share também transbordou para o Judiciário. Em setembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo declarou ilegal cláusulas usadas pela 99Food que impediam restaurantes parceiros de venderem na Keeta. A decisão, com validade nacional, marca um ponto de inflexão nas relações contratuais entre plataformas e estabelecimentos.

Para empreendedores e gestores, o recado é claro: a era dos contratos restritivos está sendo questionada judicialmente. A competitividade futura dependerá da qualidade do serviço e da flexibilidade operacional, não apenas de barreiras artificiais. Quem lidera negócios nesse setor deve atentar-se às mudanças regulatórias e à necessidade de eficiência real para sobreviver à consolidação do mercado.