Agro na Urna: O Choque de Modelos

O agronegócio brasileiro, com um Valor Bruto da Produção (VBP) projetado em R$ 1,4 trilhão e exportações recorde de US$ 87 bilhões no primeiro semestre de 2026, é o palco central da disputa eleitoral. As propostas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelam visões antagônicas sobre como gerir essa potência econômica.

Flávio Bolsonaro: Foco na Grande Produção

A candidatura do PL posiciona o agro como motor de divisas e segurança alimentar, priorizando a desburocratização e a segurança jurídica. A proposta inclui combate a invasões e aceleração na emissão de títulos fundiários para pequenos produtores, utilizando a posse como garantia patrimonial.

Outro ponto crítico é o destravamento burocrático ambiental. O plano estabelece prazos limites para licenças; caso o Estado não cumpra, a licença é concedida tacitamente. Atualmente, o ciclo completo de aprovação pode ultrapassar três anos, paralisando projetos.

Lula: Agricultura Familiar e Sustentabilidade

Já o programa do PT canaliza apoio estatal para a agricultura familiar e a transição para uma economia de baixo carbono. O orçamento do Plano Safra da Agricultura Familiar expandiu 35,9% nos últimos ciclos, saltando de R$ 71,6 bilhões para R$ 97,3 bilhões na safra 2026/2027.

A estratégia inclui ampliação do PNAE, elevando a cota obrigatória de compra direta da agricultura familiar de 30% para 45%, o que direciona cerca de R$ 3 bilhões anuais. Também há foco em bioinsumos, mercado de R$ 5 bilhões que cresce mais de 20% ao ano, reduzindo dependência de insumos externos.

Gargalos Logísticos e Investimentos

Apesar da capacidade de armazenagem atingir 233,8 milhões de toneladas, o país enfrenta déficit estimado entre 110 milhões e 130 milhões de toneladas frente a safras superiores a 350 milhões. Apenas 15% da infraestrutura está on-farm, forçando vendas rápidas e sobrecarregando a logística.

A recuperação de pastagens degradadas exige investimentos entre US$ 80 bilhões e US$ 120 bilhões até 2033. Enquanto o PL foca em concessões ferroviárias como a Ferrogrão, o PT prioriza sistemas integrados (ILPF) e rastreabilidade bovina para atender exigências socioambientais internacionais.