Do carrinho ao galpão: a escala da Amaré

A Amaré Sorvete no Coco, fundada em maio deste ano em Salvador (BA), registrou um salto exponencial em seu faturamento. Dos R$ 3 mil arrecadados no primeiro mês, a empresa chegou a R$ 106 mil em agosto, elevando a produção diária de 20 para até 400 unidades.

O modelo de negócio, que serve sorvete artesanal diretamente na casca do coco, atraiu público massivo na orla da Barra. A demanda superou rapidamente a capacidade operacional inicial, gerando filas de mais de uma hora e forçando os fundadores a reestruturar a operação em tempo recorde.

Divisão estratégica sem experiência gastronômica

Os sócios Eduardo Pinheiro Silva (publicitário), Beatriz Louzão (publicitária) e Felipe Almazo (dentista) uniram forças após uma viagem à Tailândia em 2019. Sem formação prévia no setor alimentício, distribuíram as funções com base em suas competências técnicas:

  • Felipe Almazo liderou o desenvolvimento do produto, criando uma fórmula sem glúten e sem aromatizantes, utilizando leite extraído da fruta seca;
  • Eduardo Silva cuidou da identidade visual e das estratégias digitais;
  • Beatriz Louzão assumiu a gestão financeira, planejamento de negócios e captação de recursos iniciais.

O investimento inicial foi de aproximadamente R$ 50 mil. O portfólio atual é enxuto: três bolas servidas na casca por R$ 35 ou opção individual em copo por R$ 18.

Desafios operacionais e adequação regulatória

O crescimento vertiginoso expôs a complexidade da cadeia de suprimentos. A pré-produção, que exige descascar e extrair polpa manualmente, tornou-se gargalo. Para atender à demanda, a empresa alugou um galpão maior, adequado às normas da vigilância sanitária, e contratou nove colaboradores.

Paralelamente, a Amaré está em processo de transição do regime tributário de Microempreendedor Individual (MEI) para o Simples Nacional. Segundo os sócios, o rigor nas exigências sanitárias e burocráticas é essencial para garantir a sustentabilidade legal durante essa fase de maturação.

Expansão e futuro da marca

Para o próximo trimestre, a meta é consolidar três pontos de venda em Salvador, incluindo um formato takeaway no local onde funcionava a cozinha de testes. Em desenvolvimento, há uma linha sem açúcar, fruto de um mês de testes laboratoriais.

No médio e longo prazo, o plano estratégico prevê a expansão para destinos turísticos como Itacaré e Praia do Forte. Os fundadores também iniciaram estudos para a conversão do modelo de negócio em franquia, visando replicar o sucesso do conceito na costa baiana.