Novo ciclo para o varejo

A Americanas encerrou oficialmente seu processo de recuperação judicial nesta terça-feira (20), quase quatro anos após a crise provocada pelo maior escândalo contábil da história corporativa brasileira. A decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro validou o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano aprovado por 91% dos credores.

Resultados operacionais

O varejista apresentou indicadores robustos no primeiro semestre deste ano, com alta de 9,3% nas vendas em lojas já operacionais e ganho de R$ 500 milhões em eficiência operacional. A receita bruta por metro quadrado cresceu 10,3% nos últimos dois anos, sinalizando a estabilização do modelo de negócio.

Reação do mercado

Os investidores reagiram positivamente à notícia. As ações ordinárias da empresa na B3 fecharam em forte alta de 6,9, cotadas a R$ 5,97. O encerramento do processo foi classificado pela diretoria como um marco para a disciplina financeira e o fortalecimento da governança corporativa.

Contexto histórico

O pedido inicial ocorreu em janeiro de 2023, revelando fraudes de R$ 25,3 bilhões. A dívida total ultrapassava R$ 50 bilhões, renegociados com aporte de R$ 7 bilhões a R$ 12 bilhões dos acionistas Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Herrmann Telles.

Desdobramentos legais

Enquanto a empresa segue em frente, a Justiça Federal aceitou denúncia contra ex-executivos, incluindo o ex-CEO Miguel Gutierrez. Eles respondem por crimes como organização criminosa e manipulação de mercado, consolidando o fim de uma era marcada por irregularidades sistêmicas.