Durante muito tempo, a presença digital de uma empresa esteve concentrada na comunicação institucional da própria marca. Hoje, esse cenário vem mudando: cada vez mais, fundadores, CEOs e executivos assumem também o papel de porta-vozes nas redes sociais, compartilhando conhecimento, bastidores, opiniões e experiências diretamente com o público.

O movimento se aproxima do conceito de Founder-led growth, estratégia na qual a figura do fundador se torna um importante vetor de crescimento, relacionamento e construção de autoridade para a empresa. A lógica parte de uma ideia simples: pessoas tendem a se conectar com pessoas, e a visão de quem está à frente do negócio pode ajudar a construir confiança em torno da marca.

Embora o conceito tenha surgido associado principalmente aos fundadores, a prática começa a alcançar outras posições de liderança. Diretores e executivos também passam a utilizar suas redes como espaços para falar sobre seus mercados, compartilhar aprendizados e construir uma presença profissional que vai além do cargo que ocupam.

No mercado imobiliário, esse movimento ganha uma dimensão ainda mais relevante. Em um setor baseado em relacionamento, confiança e decisões de alto valor, a presença de profissionais reconhecidos pelo conhecimento e pela experiência pode contribuir para aproximar empresas e seus públicos.

É nesse contexto que Ricardo Mineiro, diretor comercial da Setpar, passou a investir mais em sua presença nas redes sociais. Ao ampliar sua participação e a frequência de conteúdos, o executivo percebeu um aumento na interação com o público e no alcance de suas publicações. Mais do que uma mudança na estratégia de conteúdo, a experiência mostra como a presença digital dos líderes pode se transformar em uma extensão da própria atuação profissional.

“Eu comecei a enxergar as redes sociais de uma maneira diferente. Deixaram de ser apenas um espaço para publicar conteúdo e passaram a ser uma ferramenta para trocar experiências, compartilhar conhecimento e construir uma relação mais próxima com quem acompanha meu trabalho.”

Da marca para as pessoas

A expansão desse comportamento acompanha uma transformação na própria dinâmica da comunicação empresarial. Se antes a marca era o principal ponto de contato com o público, agora as pessoas que constroem essa marca também podem ocupar esse espaço.

Para empresas, isso significa transformar conhecimento interno em conteúdo e permitir que suas lideranças compartilhem perspectivas que dificilmente apareceriam em uma comunicação institucional tradicional.

Para os executivos, por outro lado, a presença digital pode representar a construção de um ativo profissional próprio. Experiência, repertório e visão de mercado passam a fazer parte de uma narrativa.

O resultado é uma comunicação menos centrada apenas em produtos e serviços e mais baseada em pessoas, conhecimento e relacionamento.

No modelo founder-led, o fundador assume parte importante dessa construção de autoridade. Quando essa lógica se expande para outras lideranças, o movimento aponta para uma tendência ainda maior: empresas que não comunicam apenas aquilo que fazem, mas também quem são as pessoas que pensam, lideram e tomam decisões dentro delas.

Nesse cenário, estar nas redes sociais deixa de ser apenas uma estratégia de exposição. Para executivos, pode se tornar uma ferramenta de relacionamento, posicionamento e construção de autoridade.