Crédito como motor da produção
O setor agropecuário do Equador movimenta cerca de US$ 1 bilhão anualmente apenas com insumos. Segundo a Associação da Indústria de Proteção de Cultivos e Saúde Animal (Apcsa), entre 85% e 90% dessas vendas dependem de crédito. A particularidade local é que o financiamento não vem majoritariamente de bancos, mas das próprias empresas fornecedoras, que assumem o papel de financiadoras ao estender prazos de até 360 dias.
Pressão nos custos dos fertilizantes
A volatilidade global impacta diretamente o campo. A ureia, principal fonte de nitrogênio, teve alta de 28,1% entre janeiro e agosto de 2026, atingindo picos superiores a US$ 850 por tonelada. O bloqueio do Estreito de Ormuz e os custos logísticos elevados, com contêineres chegando a US$ 10 mil, encarecem a importação de produtos que o país não produz internamente em escala relevante.
Concorrência limita repasse de preços
Apesar da pressão externa, a concorrência acirrada entre as 38 maiores empresas do setor, que detêm 85% do mercado, atua como contrapeso. Agricultores têm acesso a múltiplas marcas para uma mesma molécula química, o que restringe a capacidade individual das corporações de repassar integralmente seus custos operacionais ao produtor final.
Adaptação logística e planejamento estratégico
Para mitigar riscos, as empresas antecipam pedidos de cinco a seis meses antes da safra de inverno. Essa estratégia visa garantir que os insumos cheguem ao país antes de novembro, permitindo o fracionamento necessário para a distribuição final. A gestão proativa da cadeia de suprimentos tornou-se tão crucial quanto a qualidade do produto para sustentar a produtividade.

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