O fim do desperdício energético

A gestão dos cortes obrigatórios de geração de energia no Brasil está passando por uma transformação estrutural. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estima que o uso de sistemas de armazenamento em baterias possa reduzir esses interrupções entre 40% e 50%. Essa projeção ganha urgência diante de um cenário onde o desperdício de capacidade produtiva gera prejuízos bilionários para geradores e eleva os riscos para investidores.

Impacto financeiro e operacional

Em 2025, os cortes na geração solar e eólica resultaram em perdas estimadas em R$ 6,5 bilhões, segundo a Volt Robotics. Cerca de 20% da energia potencial dessas fontes não foi aproveitada, equivalente a 4.021 MW médios. A recorrência dessas restrições impacta diretamente as projeções financeiras de empreendimentos que dependem da energia efetivamente entregue para cumprir contratos e gerar receita.

Mudança na lógica de investimento

Gustavo Sozzi, CEO da Lux Energia, destaca que o desafio deixou de ser apenas ampliar a capacidade de geração. Agora, há energia disponível, mas nem sempre é possível aproveitá-la. As baterias armazenam eletricidade durante períodos de alta produção e liberam-na quando a demanda aumenta, reduzindo o descompasso entre produção e consumo. Isso transforma o armazenamento em uma decisão econômica crítica, não apenas tecnológica.

Leilões e regulamentação

O interesse do mercado se reflete nos primeiros leilões brasileiros para contratação de baterias de grande porte. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), foram cadastrados 6.091 projetos, totalizando 296.807 MW de potência. Os leilões estão agendados para dezembro de 2026, com contratos de 15 anos e início de suprimento em agosto de 2028. A ANEEL também avançou na regulação, aprovando novas regras para organizar os cortes e abrindo consulta pública sobre o custeio desses sistemas.