Adoção recorde de agentes de IA

O Brasil consolidou sua posição como líder em maturidade digital na América Latina. Segundo a pesquisa Work: In Progress, realizada pelo Google Cloud em parceria com IDC e Provokers, 59% dos profissionais brasileiros já utilizam agentes de inteligência artificial em suas rotinas diárias. Esse índice supera a média regional, indicando uma aceleração significativa na integração dessas tecnologias nos ambientes corporativos locais.

Desses, 38% recorrem a agentes de IA pessoais para cumprir demandas de trabalho. O cenário mostra que, embora a tecnologia esteja presente, a iniciativa frequentemente parte do colaborador, não da estratégia formal da empresa. Apenas 17% das organizações brasileiras alcançaram estágio de adoção consolidada, contra 12% na região.

Riscos invisíveis e soberania tecnológica

A autonomia dos colaboradores gera um "risco invisível" para os negócios. A pesquisa aponta que 59% dos usuários enxergam baixo ou nulo risco ao usar ferramentas pessoais, percentual acima da média latino-americana (54%). Essa percepção otimista pode mascarar vulnerabilidades de dados e conformidade regulatória.

As motivações para o uso pessoal são claras: 39% consideram a usabilidade superior e 39% sentem mais privacidade. No entanto, 29% relatam incompatibilidade tecnológica com as soluções empresariais, e 22% afirmam que suas empresas não oferecem recursos adequados. Isso evidencia uma lacuna entre a oferta corporativa e a necessidade operacional real.

Governança como diferencial estratégico

Marcel Silva, líder de go to market e vendas de IA para o Google Cloud na América Latina, alerta que o desafio agora é transcender a eficiência isolada. Para ele, as empresas precisam converter essa adoção orgânica em transformação de negócios, oferecendo ambientes seguros e governados.

A preferência por soluções nativas também é forte: 46% dos brasileiros desejam que os agentes de IA estejam incorporados diretamente às ferramentas que usam diariamente. A liderança deve agir proativamente, capacitando equipes e integrando tecnologias que destravem novas fontes de receita, em vez de apenas reagir ao uso informal.