Entrada estratégica no ranking

O pacote de benefícios corporativos brasileiro passou por uma mudança significativa em 2026. Segundo levantamento do Infojobs, divulgado pela Exame, o convênio com academias entrou pela primeira vez entre os dez benefícios mais oferecidos no país. O dado foi extraído da análise de mais de 177 mil vagas de emprego no primeiro trimestre do ano, onde 19% dos empregadores incluíram essa opção.

Embora benefícios tradicionais como vale-alimentação (88%) e vale-transporte (50%) ainda dominem a oferta, a presença do fitness no top 10 indica uma reavaliação do que é essencial para a retenção e bem-estar do colaborador.

A influência da NR-1 na gestão de pessoas

Esse movimento não ocorre isoladamente. Ele acompanha a vigência da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), atualizada desde maio de 2026, que obriga as empresas a gerenciarem riscos psicossociais. A norma exige identificação de fatores como sobrecarga, jornadas extensas e assédio.

Ivete Gama, CMO da Ultra Academia, explica que a academia deixou de ser vista apenas como um diferencial de marketing para se tornar parte de uma estratégia de prevenção. "A sustentabilidade da força de trabalho depende dessa visão ampla", afirma a executiva.

Custo humano da saúde mental

A urgência dessas medidas é refletida nos dados de afastamento. O Ministério da Previdência registrou 546.254 benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos mentais em 2025, um aumento de 15,66% sobre o ano anterior.

Globalmente, a OMS estima que depressão e ansiedade custem US$ 1 trilhão em produtividade perdida anualmente. A atividade física regular surge como ferramenta comprovada para reduzir esses sintomas, embora 31% dos adultos mundiais não atinjam o mínimo recomendado de exercícios.

Integração com RH e ecossistemas de saúde

Para atender essa demanda, redes fitness estão expandindo sua atuação além do treino físico. A Ultra Academia, por exemplo, lançou o plano Ultra 360, que combina musculação, telemedicina, suporte psicológico e nutricional por R$ 187 mensais.

O setor precisa dialogar diretamente com os departamentos de Recursos Humanos para entender perfis diversos e garantir adesão real. A academia torna-se infraestrutura de bem-estar, mas não substitui a necessidade de corrigir problemas estruturais na cultura organizacional.