Pressão operacional sobre a Cyrela

As ações da Cyrela (CYRE3) registraram queda significativa no pregão desta quarta-feira, refletindo uma prévia operacional do terceiro trimestre que ficou abaixo das expectativas consolidadas. O mercado reagiu com cautela diante dos números divulgados pela incorporadora, que apontam desaceleração na velocidade de captação e novos empreendimentos.

Dados do trimestre revelam contração

Entre julho e setembro, a empresa lançou 15 projetos, totalizando R$ 2,863 bilhões em VGV ex-permuta. Esse valor representa uma retração de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 25% comparado ao trimestre imediatamente anterior. As vendas líquidas também recuaram 14% na base anual, atingindo R$ 2,117 bilhões.

Impacto nas marcas Vivaz e alta renda

A análise dos analistas destaca que o desempenho inferior ocorreu principalmente nas operações da marca Vivaz, voltada para o Minha Casa Minha Vida, e nos segmentos de alta renda. A velocidade de vendas (VSO) de 12 meses caiu para 40,3%, abaixo dos 42,8% registrados no segundo trimestre de 2026.

Múltiplos atraentes sustentam recomendação

Apesar da fragilidade nos dados operacionais, casas como Itaú BBA e BTG Pactual mantêm a recomendação de compra. Os especialistas argumentam que os papéis negociam a múltiplos atrativos, cerca de 1,2 vezes o valor patrimonial estimado, e se beneficiam de uma perspectiva macroeconômica favorável com taxas de juros em queda.

Catalisadores futuros para o papel

Os analistas apontam a potencial venda da torre corporativa como um fator destravador de valor, equivalente a 3-4% do valor de mercado. Além disso, a melhoria na confiança do consumidor e a projeção de ROE mais robusto sob taxas reais neutras justificam a visão otimista de longo prazo para a ação.