Risco calculado no início

Milena Sakamoto fundou a Eventesse em 2010 com um perfil incomum para o mercado brasileiro: mãe solo, sem experiência prévia em gestão empresarial e sem reservas financeiras. Para bancar o primeiro evento corporativo, ela assumiu uma dívida de R$ 140 mil, dividida entre empréstimo bancário e aporte familiar. A estratégia era clara ou recalcular a rota ou voltar ao mercado de trabalho como funcionária.

O primeiro grande projeto foi um evento em Paris, cujo resultado permitiu quitar parcelas da dívida e formar o caixa inicial. Nos seis anos seguintes, a operação manteve custos baixos, utilizando salas compartilhadas e freelancers, mas essa dependência limitava a escalabilidade.

Governança e estruturação

A virada estratégica ocorreu em 2016, quando Sakamoto percebeu que a rotatividade de terceirizados prejudicava a qualidade. A decisão foi contratar colaboradores fixos e criar departamentos específicos, como criação e operações. O faturamento respondeu positivamente, crescendo 30% em 2017 e ultrapassando 200% em 2018.

Em 2022, a empresa investiu pesadamente em governança, oferecendo atendimento 360 graus. Isso significou internalizar desde planejamento estratégico até turismo corporativo, eliminando a fragmentação comum no setor. Clientes grandes como Stellantis e Bradesco passaram a confiar na régua alta de entrega medida por indicadores claros.

Resiliência durante a pandemia

Quando a covid-19 paralisou os eventos presenciais B2B, a Eventesse não demitiu. Utilizando reservas acumuladas, a gestão manteve salários integrais e realocou a equipe para reagendar contratos. Paralelamente, criaram um estúdio virtual no hotel Vila Olímpia e diversificaram receitas com importações temporárias.

Essa postura preservou o capital humano qualificado. Enquanto concorrentes sofriam com escassez de mão de obra, a Eventesse absorveu a demanda reprimida, registrando crescimento de 60% em 2022 comparado a 2019.

Tecnologia e liderança atual

Hoje, a empresa conta com 97 colaboradores fixos e atende cerca de 80 clientes anualmente, sem nenhum aporte de fundos de investimento. A estrutura se fortaleceu com a entrada de Cristiana Gil como COO e sócia em 2024, permitindo que Sakamoto focasse na estratégia financeira.

O negócio também adotou inteligência artificial proprietária para monitoramento em tempo real e conquistou certificação ESG Intuix. Com conselho consultivo instituído em 2025, a projeção para 2026 é de R$ 150 milhões em faturamento e 333 projetos realizados.