Novo modelo de resgate de crédito

O governo federal apresentou o Desenrola 3.0, uma estratégia agressiva para reduzir o superendividamento familiar. Diferente das edições anteriores, que apenas facilitavam parcelamentos, a nova versão prevê que a União compre diretamente as dívidas das instituições financeiras. O objetivo é injetar liquidez nas famílias e permitir que milhões de brasileiros recuperem seu acesso ao crédito.

Mecanismo de leilão e descontos

A operação funcionará por meio de leilões segmentados. Os bancos e credores entregarão carteiras de débitos inadimplentes entre dois e quatro anos e meio. A União pagará um deságio mínimo de 90% sobre o valor original da dívida. Esse desconto será integralmente repassado ao devedor, que poderá quitar o saldo à vista ou parcelar o restante.

Impacto no mercado financeiro

Para quem lidera negócios ou investe, o sinal é claro: o Estado está assumindo parte do risco de crédito. Com um teto de gasto de R$ 15 bilhões nos orçamentos de 2027 e 2028, o governo estima atingir R$ 150 bilhões em operações elegíveis. No entanto, a estimativa realista de renegociação efetiva gira em torno de R$ 75 bilhões, dependendo da adesão dos credores.

Público-alvo e cronograma

O foco inicial são dívidas de cartão de crédito rotativo e empréstimos pessoais sem garantia, com valores originais de até R$ 10 mil. A expectativa é beneficiar até 15 milhões de pessoas. O processo começa com a publicação da Medida Provisória em setembro de 2026, seguindo para leilões a partir de novembro.