Polêmica gera debate sobre desperdício

Uma confeitaria em São Leopoldo (RS) viralizou ao descartar produtos após dois dias sem energia. A decisão da proprietária, Gi Cunha, gerou críticas nas redes sociais, com internautas sugerindo a doação imediata dos itens. No entanto, o caso levanta uma questão crucial para gestores de food service: a doação é sempre a solução correta?

A regra da segurança alimentar

Não. Segundo a Lei nº 15.224/2025, que institui a Política Nacional de Combate à Perda e ao Desperdício de Alimentos, a doação exige que os produtos estejam em condições adequadas de conservação. Adriana Lara, da Abrasel, reforça que a validade considera o armazenamento correto. Sem refrigeração, perecíveis tornam-se inseguros.

Risco sanitário vs. boa intenção

Alimentos como carnes, laticínios e cremes podem desenvolver bactérias mesmo sem alterar cheiro ou sabor. Doar esses itens coloca a saúde de beneficiários em risco. O descarte adequado, portanto, não é desperdício, mas uma medida de responsabilidade sanitária obrigatória.

Alternativas para não perecíveis

Produtos secos e embalados, como pães torrados ou itens de prateleira, podem ser doados se íntegros. Para sobras impróprias, advogados indicam compostagem ou biomassa. Empresas devem ter protocolos claros para quedas de energia, priorizando a segurança acima da imagem nas redes.