Do incentivo à estruturação

O cenário do empreendedorismo feminino no Brasil passou por uma mudança de paradigma. Com 10,4 milhões de mulheres donas de negócios, segundo dados do Sebrae, o foco deixou de ser apenas a entrada no mercado para a sustentabilidade e escala das empresas. É nesse contexto que ocorre, entre os dias 22 e 24 de setembro, a sexta edição do Conexão EBEM, em São Paulo.

O evento, realizado pela Escola Brasileira de Empreendedorismo Feminino (EBEM), deve reunir cerca de três mil empresárias, executivas e investidores no Tokio Marine Hall. A proposta central é discutir como transformar negócios dependentes da figura da fundadora em corporações estruturadas, profissionais e preparadas para o longo prazo.

Gestão sobre representatividade

Tatyane Luncah, fundadora e CEO da EBEM, destaca que a fase atual exige menos discursos motivacionais e mais capacitação técnica. "Chegamos a uma fase em que precisamos falar menos sobre simplesmente incentivar mulheres a empreender e muito mais sobre ensiná-las a construir empresas", afirma. O domínio de gestão, vendas, tecnologia e números torna-se imperativo para quem deseja escalar.

A programação será dividida nos pilares Pessoas, Processos e Inteligência de Negócios. Temas quentes incluem a aplicação de Inteligência Artificial (IA) na rotina operacional, saúde mental, economia do cuidado e estratégias de liderança para diferentes gerações.

Economia feminina e sobrecarga

O debate também toca em pontos sensíveis, como a chamada "Nova Era da Economia Feminina", baseada em colaboração e cocriação. Os dados reforçam a urgência de profissionalização: 76% das mulheres empreendedoras relatam sobrecarga devido à dupla jornada, um percentual significativamente superior aos 55% dos homens. Estruturar processos não é apenas uma questão de eficiência financeira, mas de sobrevivência e bem-estar.

  • Mais de 30 mil mulheres já fazem parte do ecossistema da EBEM.
  • O evento traz nomes como Sônia Hess, Mônica Salgado e Ju Ferraz.
  • Foco em sair do operacional para a visão estratégica.

Parcerias estratégicas e networking

Além do conteúdo educacional, o Conexão EBEM funciona como uma plataforma B2B. Marcas como Allianz, Banco Daycoval, Consigaz e MAC participam ativamente, oferecendo desde painéis executivos até experiências de marca integradas. A estratégia visa conectar empresárias a fornecedores, investidores e potenciais parceiros comerciais.

A organização conta com Pink Eventos e Grupo Projeto, garantindo uma estrutura que transforma o encontro em um hub de relacionamentos reais. Para Tatyane Luncah, quando as marcas deixam de ser apenas exposição e passam a gerar valor, elas se tornam parte da memória do público-alvo.