O poder da origem na expansão nacional

Não é mais novidade que o Nordeste produz negócios de alta performance. No entanto, o caso de Nina Makeup, Avelloz, Avatim e Bengô Açaí vai além da curiosidade regional. Essas quatro empresas demonstram como a identidade local, quando aliada a rigor técnico, vira vantagem competitiva para escalar em todo o território brasileiro.

Operação militar e presença B2B

A trajetória da Nina Makeup, fundada por Shirley Costa no Maranhão, ilustra a transição do informal para o corporativo. Começando com uma distribuidora e trabalhando em jornada dupla como enfermeira, a CEO usou o curso Empretec (Sebrae/ONU) para estruturar a marca. O salto ocorreu na Beauty Fair 2022, levando a sede para São Paulo. Hoje, fatura R$ 32 milhões, com 85% do receita vindo do canal B2B e presença em 86% das grandes redes de perfumaria.

Mobilidade urbana e modelo de franquia

Já a Avelloz, sediada em Recife, foca em cidades pequenas negligenciadas pelas grandes montadoras. Liderada por Caio Siqueira, a empresa vendeu 52 mil motos em 2025, com ticket médio de R$ 14 mil. Seu diferencial está no modelo de franquia: a franqueadora mantém o estoque, reduzindo risco para o operador. Com 500 pontos de venda, planeja inaugurar fábrica em Manaus em 2027.

Autenticidade sensorial e padronização

A Avatim, de Ilhéus (BA), provou que vender cultura exige processos industriais. Mônica Burgos saiu do Direito para criar uma rede de cosméticos naturais. Com 377 unidades (344 franquias), a marca expandiu para Portugal mantendo a essência artesanal, mas com supervisão de campo rígida. O segredo foi adaptar a experiência sensorial sem perder a autenticidade do produto feito à mão.

Adaptação de produto e ecossistema próprio

A Bengô Açaí, do Maranhão, cresceu ao entender que o consumidor do Sul prefere "açaí sorvete" ao tradicional cremoso. Rodrigo Cardoso investiu em fábrica própria de polpas e logística dedicada. Com 150 lojas vendidas e meta de 500 unidades em dois anos, a empresa mostra que flexibilidade no catálogo é crucial para ganhar novas regiões.