O fim do modelo linear

A jornalista e psicóloga Fabiana Scaranzi desmonta a ideia de que existe uma única trajetória válida para toda a vida. Aos 48 anos, deixou a televisão, onde atuava há quase duas décadas, para recomeçar. Aos 54, ingressou em uma nova faculdade e, aos 59, graduou-se em psicologia. Hoje, aos 61, lança o livro "Seus sonhos não têm prazo de validade", compilando experiências de quem ousa mudar.

Clareza versus medo interno

Scaranzi alerta que a maior barreira na transição de carreira muitas vezes não é externa, mas silenciosa. Ela explica que a autoconfiança não precede a ação; ela surge depois dela. Muitos profissionais esperam sentir-se seguros para dar o passo, mas aprendem que é o movimento que gera a certeza necessária para seguir em frente.

Maturidade como ativo estratégico

Longe de ser um obstáculo, a idade traz foco. Citando estudos da professora Laura Carstensen, de Stanford, Fabiana destaca que a percepção do tempo limitado leva à priorização do que realmente importa. Isso resulta em menos dispersão e mais coragem para abandonar expectativas alheias e investir em projetos alinhados com a identidade atual.

Combate ao etarismo de gênero

A autora também aborda o preconceito duplo enfrentado por mulheres maduras no mercado. Enquanto homens grisalhos são vistos como influentes, mulheres frequentemente sofrem com reducionismos estéticos. Fabiana insiste que fugir do termo "envelhecer" apenas adia o confronto com a realidade, sugerindo que a autenticidade deve prevalecer sobre rótulos sociais.

Preparação antes da virada

Suas mudanças não foram impulsivas. Antes de sair da TV, passou um ano e meio pesquisando e escrevendo. Essa preparação silenciosa foi crucial para que a transição parecesse natural quando finalmente ocorreu. O conselho central é tratar a mudança como um realinhamento consciente, evitando que o corpo ou as circunstâncias tomem decisões dolorosas pelo indivíduo.