O aviso direto do FMI

Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), lançou um alerta contundente aos bancos centrais globais. Em discurso realizado antes das reuniões anuais em Bangcoc, ela classificou como "cowboys monetários" as autoridades que cedem à pressão governamental para comprar dívida pública e aliviar custos fiscais. A mensagem é clara: a independência institucional não pode ser negociada.

Choques de energia e inteligência artificial

A economia mundial enfrenta uma encruzilhada complexa. De um lado, choques negativos na oferta de energia devido a conflitos no Oriente Médio mantêm o petróleo próximo de US$ 100 por barril. Do outro, o boom de investimentos em inteligência artificial gera pressão positiva na demanda, alimentando a inflação. Esse cenário desigual exige cautela extrema na política econômica.

Dívida global em níveis históricos

O endividamento público global deve superar 100% do PIB mundial antes de 2030, o maior nível desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Georgieva destacou que economias avançadas, lideradas pelos EUA, não podem mais depender apenas do crescimento econômico para resolver problemas fiscais. É urgente a implementação de planos críveis de consolidação fiscal de médio prazo.

Juros altos e estabilidade de preços

Com os rendimentos dos títulos soberanos nos maiores patamares desde meados dos anos 90 e 2000, a diretora do FMI considerou "altamente apropriadas" as altas de juros recentes do Federal Reserve, do Banco Central Europeu e do Banco do Japão. O foco agora deve ser preservar a estabilidade de preços, resistindo a qualquer tentativa de monetização da dívida.