Barreiras antitruste na fusão

A união entre Afya e Yduqs, oficializada em setembro de 2026, cria o maior grupo de ensino médico do país com 5.888 vagas anuais. No entanto, a aprovação pelo Cade enfrenta obstáculos reais. A autoridade antitruste foca em mercados locais onde as redes se sobrepõem, como Ji-Paraná (RO), Teresina (PI) e Rio de Janeiro (RJ). Nessas praças, a participação combinada ultrapassa 48%, acima do limiar de 20% que dispara análise rigorosa.

Desinvestimento obrigatório

Para aprovar a operação, o Cade deve condicionar o visto à venda de unidades em cidades críticas. Joel Freire, diretor-executivo da InMEC, alerta que vender cursos de medicina é complexo, pois são ativos escassos. As três praças afetadas representam cerca de 15% do total de vagas da fusão, limitando o impacto no porte final do grupo, mas exigindo liquidez imediata dos vendedores.

Escassez de novas vagas

O cenário agrava-se pela revogação, em fevereiro de 2026, do edital do MEC que autorizaria 95 novos cursos de medicina. Com o fechamento dessa porta, a aquisição de faculdades já operantes tornou-se a única via de expansão setorial. Isso intensifica a disputa por cada vaga autorizada, elevando o valor de mercado desses ativos estratégicos.

Qualidade pesa na valuation

Além da quantidade, a qualidade define o preço. Resultados recentes do Enamed mostram que 99 cursos federais tiveram desempenho baixo, sujeitando-os a supervisão e corte de Fies. Compradores analisam rigorosamente a proficiência dos concluintes e a estrutura de campos de prática antes de fechar negócios, como ocorreu nas aquisições da Unidom e da Universidade Vila Velha.