Reconfiguração do Mercado Patrocinador

O cenário de patrocínio em camisas de futebol na América Latina está passando por uma transformação estrutural. Dados do estudo "Porque 'ainda' não aqui?", publicado pelo Ibope Repucom, indicam que o setor financeiro assumiu a liderança como principal anunciante na região. No Brasil, esse crescimento foi de 45%, saltando de 20 para 29 contratos ativos.

A Saída das Bets e o Aumento dos Valores

No território brasileiro, as bets, que antes dominavam o mercado, recuaram 18% em relação a 2024. Com a proibição regulatória implementada em setembro de 2026, a segunda posição no ranking de investimentos caiu para a terceira. Paradoxalmente, a saída desses jogadores agressivos elevou o valor dos contratos restantes. O ticket médio dos patrocínios master atingiu R$ 70 milhões, um recorde histórico desde os anos 1980.

Diversificação Regional vs. Concentração Nacional

Enquanto o Brasil concentra marcas nacionais, a América Latina exibe maior variedade com presença multinacional. Bancos como o espanhol BBVA e o paraguaio Uenobank expandiram suas operações. Ao todo, 29 instituições financeiras patrocinam times na região. Além disso, seguradoras consolidaram 22 contratos, reforçando a estabilidade do setor.

Novos Atores: Imobiliário e Montadoras Chinesas

Outros setores também ganham força. O imobiliário e a construção civil mostraram crescimento no Brasil, enquanto o setor automotivo se destaca pela entrada de montadoras chinesas focadas em veículos elétricos e híbridos, totalizando dez novos contratos no país. Na América Latina, as bets cresceram 22%, alcançando 71% dos clubes pesquisados, exceto na Bolívia e Uruguai.

Desafios de Credibilidade para Marcas Globais

Apesar do aquecimento, grandes patrocinadores internacionais ainda evitam o futebol brasileiro. A baixa credibilidade dos clubes, somada ao alto endividamento, crises políticas internas e punições da Fifa por atrasos em pagamentos, gera cautela. Para empreendedores e gestores, o sinal é claro: a governança corporativa dos clubes precisa evoluir para atrair capital estrangeiro de longo prazo.