Distância entre colaborador e empresa

Uma pesquisa recente realizada pelo iFood em parceria com o Instituto QualiBest expõe uma fissura significativa na adoção de Inteligência Artificial no mercado brasileiro. Ao entrevistar 1.406 profissionais, o levantamento constatou que 69% dos indivíduos se sentem preparados para usar ferramentas de IA no dia a dia. Em contrapartida, apenas 60% avaliam que suas respectivas empresas estão preparadas. Essa diferença de nove pontos percentuais indica que a base técnica está à frente da estrutura corporativa.

A pressão por resultados versus a cultura

O estudo também destaca um dilema gerencial: sete em cada dez líderes esperam ser cobrados para implementar IA em suas equipes. No entanto, 41% dos gestores admitem abrir mão de valores culturais importantes para bater metas, enquanto 56% sentem essa pressão. Há uma associação clara entre culturas fortes e a incorporação da tecnologia; 75% dos profissionais que veem a cultura sendo praticada sempre ligam isso ao uso de IA, contra uma média geral de 55%.

Medo da substituição não muda por cargo

Apesar da confiança na ferramenta, persiste a ansiedade sobre o futuro do trabalho. 42% dos entrevistados concordam que a IA reduzirá postos de emprego, um número que se mantém estável independentemente do nível hierárquico. Desde analistas até diretores, a percepção de risco é similar. Enquanto 86% veem a IA como oportunidade, o receio de obsolescência profissional ainda freia uma adoção plena e tranquila nas organizações.

Cultura como alavanca estratégica

Raphael Bozza, CHRO do iFood, enfatiza que a liderança não pode negociar a cultura sob pressão. A pesquisa sugere que ambientes onde os valores são inegociáveis tendem a integrar melhor a inovação tecnológica. A dissonância entre a prontidão individual e a capacidade organizacional exige que as empresas deixem de tratar a IA apenas como uma ferramenta isolada e passem a enxergá-la como parte integrante de sua identidade e processos internos.