Resiliência financeira e governança

A GIC Brasil, fundada há duas décadas por Irineu Fernandes, enfrentou uma crise severa ao acumular uma dívida equivalente a R$ 10 milhões devido a um projeto malsucedido. A família optou pela quitação integral dos credores, evitando a recuperação judicial. Essa decisão exigiu a venda de ativos estratégicos, como a propriedade de um sistema WMS, mas preservou a integridade do negócio e permitiu a reconstrução da base operacional.

Tecnologia como alavanca de crescimento

O ponto de virada ocorreu com o desenvolvimento do sistema RUB, plataforma de automação focada na redução da ruptura de exposição no varejo alimentar. A ferramenta utiliza inteligência artificial e reconhecimento de imagens para corrigir divergências entre estoque físico e gôndola. Os resultados incluem a diminuição de até 90% nos erros de exposição e ganhos de produtividade de 87% nas equipes, impactando diretamente a rentabilidade das redes atendidas.

Expansão e presença de mercado

Atualmente, a GIC atende 26 grandes grupos varejistas, incluindo Atacadão/Carrefour e Assaí, operando em mais de 1,6 mil filiais. O CEO Ivan Fernandes afirma que 11 das 21 maiores redes de alimentos do país utilizam suas soluções. Com projeção de crescimento de 20% em 2026, a empresa visa faturar R$ 27,5 milhões, consolidando sua posição como líder em tecnologia para o setor alimentício.

Liderança humana e inclusão

Após desenvolver Doença de Graves por estresse excessivo durante a quitação das dívidas, Ivan adotou uma filosofia de gestão centrada no desenvolvimento humano. A plataforma RUB facilitou a inclusão de profissionais surdos e mudos no atendimento, otimizando processos que antes demandavam horas de checagem manual. Essa abordagem combina eficiência tecnológica com humanização, reduzindo a rotatividade e fortalecendo a cultura organizacional.