Da estrada à fábrica: a origem da Guimarães
Saul Pedroso Guimarães trocou o volante do caminhão pela gestão industrial após identificar oportunidades no cultivo de cana-de-açúcar em Santo Antônio da Patrulha, no Rio Grande do Sul. Fundada em abril de 1982, a Guimarães Alimentos nasceu da produção artesanal de rapadura e evoluiu para uma indústria de grande porte.
O complexo fabril, com 10 mil metros quadrados, hoje opera com cerca de 400 colaboradores. A escala é impressionante: a empresa processa 400 toneladas de amendoim por mês e produz mais de 1,2 milhão de paçocas diariamente.
Co-branding que acelera receita
Um divisor de águas recente foi a parceria com a Nestlé, concretizada após uma abordagem direta da diretoria de marketing na feira APAS. O resultado foi a linha de produtos colaborativos, liderada pelo Creme de Amendoim com Negresco.
A estratégia gerou um crescimento de vendas mensal de 50% nos itens da colab. Atualmente, esses produtos representam 10% do faturamento total da marca, impulsionando um aumento de 80% na receita global desde o início da joint venture.
Segunda geração e governança
A transição gerencial foi estruturada com rigor. Os quatro filhos de Saul — Mariana, Rafael, Rodrigo e Matheus — passaram por rodízio nas áreas operacionais, jurídicas e financeiras antes de assumir diretorias.
Mariana Guimarães, hoje responsável por marketing e inovação, destaca a importância dessa base prática. O fundador atua como conselheiro estratégico, permitindo que a segunda geração tome decisões ágeis mantendo a essência dos 45 anos de história.
Expansão internacional e adaptação cultural
Com meta de faturar R$ 200 milhões em 2026, a Guimarães embarca seus primeiros contêineres para os Estados Unidos e Europa. Nos EUA, o foco é o "mercado da saudade" e o varejo tradicional.
O marketing localizou barreiras linguísticas, adaptando a pronúncia de "paçoquinha" em materiais promocionais durante o festival SXSW. Além disso, reposiciona os snacks como fontes de proteína limpa para atletas, ampliando o público-além do nicho tradicional.
Impacto social como pilar estratégico
A iniciativa Raspinha Solidária, criada em 2020, demonstra como a responsabilidade social está integrada ao modelo de negócios. O projeto arrecada fundos para revitalizar escolas públicas locais, fortalecendo o vínculo da marca com a comunidade onde opera.
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