O erro comum na estruturação societária

Apenas abrir uma holding e dividir cotas entre herdeiros é insuficiente para garantir a perenidade do negócio. A consultoria Árvot, sediada em Passo Fundo (RS), destaca que muitos empresários param no aspecto jurídico formal, ignorando a complexidade humana envolvida. O maior ativo não são os imóveis ou máquinas, mas a harmonia entre as pessoas que gerenciam o patrimônio.

Governança define quem decide e administra

Sem um protocolo de família claro, acordo de sócios e pacto de governança, a empresa transfere riqueza, mas não transmite regras. Cristiano Donato, sócio da Árvot, enfatiza que a divisão igualitária de cotas não equivale à definição de poder. Documentos escritos devem especificar quem toma decisões, como os lucros são distribuídos e como resolver impasses internos.

Conflitos velados ameaçam a continuidade

O planejamento falha quando ignora dinâmicas familiares ocultas, como filhos de outras uniões ou casais não formalizados. Carolina Ractz Bueno observa que a equipe leva cenários reais para a mesa e questiona a percepção de justiça de cada membro. Ignorar essas nuances adia conflitos que podem destruir o negócio, independentemente da eficiência tributária da estrutura criada.

Abordagem multidisciplinar evita disputas judiciais

Diferente do modelo tradicional onde advogados e contadores atuam isoladamente, a Árvot integra as áreas para analisar casos simultaneamente. Essa visão sistêmica busca responder três questões cruciais: transferir patrimônio intacto, evitar a dissolução familiar por brigas e minimizar impostos legalmente. O caso da família Joaquim Roriz ilustra os riscos de uma gestão mal estruturada.