O paradoxo dos dados em Compras

As áreas de compras acumularam anos de registros digitais, desde requisições até contratos. No entanto, transformar esse volume em inteligência artificial aplicada ainda é um desafio. O obstáculo não é a escassez de informação, mas sua distribuição dispersa entre sistemas desconexos.

A barreira da fragmentação

Carolina Cabral, CEO da Nimbi, explica que o registro pode estar em uma ferramenta, a referência em outra e o contrato em uma pasta física. Essa desconexão impede que a IA tenha o contexto necessário para gerar respostas precisas, gerando riscos em negociações baseadas em informações parciais.

Dados do mercado revelam o descompasso

Um estudo do Gartner mostra que 72% dos líderes de procurement veem analytics como prioridade. Contudo, a mesma consultoria indica que a IA generativa entrou na fase de desilusão devido à má qualidade dos dados. Já o The Hackett Group aponta que apenas 43% das organizações implantam a tecnologia ativamente.

Retorno diferenciado para empresas maduras

A pesquisa Global CPO Survey 2025 da Deloitte destaca que as chamadas "Digital Masters" obtêm retorno de 2,8 vezes sobre investimentos em IA, contra 1,6 vez das demais. A diferença está na maturidade tecnológica e na preparação das equipes.

Caminho para a integração efetiva

A solução passa por três frentes: integrar a jornada de compras, unificar cadastros de fornecedores e estabelecer governança clara. Não é necessário trocar todos os sistemas imediatamente, mas garantir que requisição, cotação e pedido estejam ligados entre si.