Viralização expõe prática de recrutamento automatizado

Um vídeo postado no TikTok pelo usuário @xuenki ganhou destaque ao revelar um processo seletivo inusitado. O candidato relatou que um advogado utilizou o ChatGPT para conduzir entrevistas e que a ferramenta seria responsável pela decisão final de contratação entre cinco candidatos. A publicação gerou debate intenso, com comentários ironizando a desumanização do setor e alertando para possíveis ambientes de trabalho tóxicos.

O que diz a legislação trabalhista e a LGPD

Guilherme de Luca, especialista em direito trabalhista, esclarece que o uso de inteligência artificial em RH não é proibido, mas exige rigoroso alinhamento com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A legislação garante ao candidato o direito de solicitar revisão de decisões tomadas exclusivamente por sistemas automatizados. Além disso, as empresas devem garantir que os critérios algorítmicos não reproduzam discriminações baseadas em gênero, raça ou idade.

A importância da transparência e organização

Beatriz Santos, gestora de Recursos Humanos, alerta que implementar IA em processos desorganizados é um erro comum. Para que a tecnologia agregue valor, é fundamental definir critérios claros de competências antes da avaliação. A especialista defende três pilares: transparência com o candidato sobre o uso da ferramenta, clareza nos requisitos da vaga e manutenção do olhar humano na análise final, evitando tratar pontuações automáticas como verdades absolutas.

Riscos de vieses e falta de contexto empresarial

Ademar Paes Junior, CEO da LifesHub, destaca que delegar totalmente a escolha à IA pode levar a erros graves, como confundir desenvoltura comunicativa com competência real. Algoritmos podem interpretar equivocadamente comportamentos e ignorar traços essenciais como empatia e liderança. Para mitigar esses riscos, a tecnologia precisa ser alimentada com o contexto profundo da empresa, incluindo desafios de negócio e dinâmicas de equipe.