A barreira da mentalidade

A inteligência artificial já está presente em 80% das empresas brasileiras, segundo estudo recente da MIT Sloan Management Review Brasil encomendado pela TOTVS. No entanto, um abismo separa a adoção superficial da integração estratégica: apenas 7% das organizações colocam a IA no centro do negócio.

Para Gustavo Bastos, vice-presidente de Plataformas e TI da TOTVS, o obstáculo principal não é técnico, mas cultural. Executivos no topo frequentemente focam nas barreiras ('porquê não') em vez de explorar oportunidades ('porquê sim'). Admitir a necessidade de reaprender é o primeiro passo para liderar nessa nova era.

O peso da experiência acumulada

Trinta anos de trajetória formam um repertório valioso, mas tornam-se insuficientes se houver resistência à mudança. Bastos destaca que a humildade intelectual é crucial. O líder não precisa ser especialista em código, mas deve ter disposição para compreender o impacto da tecnologia na cadeia de valor.

Cristiano Nobrega, diretor executivo de Dados e IA da TOTVS, reforça que a abertura para aprender é o diferencial comum entre líderes bem-sucedidos e aqueles que ficam para trás, independentemente do nível hierárquico.

Medo e falta de treinamento

O cenário interno é preocupante. 43% dos colaboradores temem errar ao confiar na IA, e 37% afirmam não saber usar as ferramentas corretamente. Diante desse quadro, apenas 7% das empresas oferecem treinamento estruturado para toda a equipe, deixando a força de trabalho desprotegida e ineficiente.

Pragmatismo acima da modernização

A implementação da IA deve resolver problemas concretos ou gerar benefícios mensuráveis, evitando modismos vazios. Bastos sugere que executivos usem agentes de IA para automatizar análises preliminares, liberando tempo para discutir efeitos colaterais e estratégia.

A chave é a governança clara e a intenção definida. Perguntar qual é o objetivo por trás de cada decisão tecnológica evita desperdícios e garante que a inovação sirva ao negócio, e não o contrário.