Volatilidade eleitoral pressiona o índice

O Ibovespa fechou em queda de 1,06%, registrando 204.324,26 pontos nesta quinta-feira. A movimentação negativa foi impulsionada pela expectativa em torno da divulgação da nova pesquisa do Datafolha sobre o segundo turno das eleições presidenciais. Investidores buscavam clareza sobre o cenário político após levantamentos recentes indicarem um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Reação do mercado e do câmbio

A incerteza política refletiu-se diretamente no câmbio. O dólar à vista subiu 1,17%, fechando a R$5,0885, seu maior valor desde dois dias antes do primeiro turno. Parte dos agentes financeiros considera que um eventual governo de Flávio Bolsonaro traria maiores chances de controle das contas públicas, embora ainda não haja propostas concretas de ajuste fiscal apresentadas pelo candidato. Essa percepção gerou oscilações nos Depósitos Interfinanceiros (DIs) e reforçou a sensibilidade do mercado ao noticiário eleitoral.

Pesquisas apontam empate técnico

Levantamentos da Quaest e do BTG/Nexus mostraram Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto contra 44% de Lula, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. Esse cenário de paridade técnica aumentou o prêmio de risco percebido pelos traders. Além da política, o Senado aprovou o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho, tema central da campanha do atual governo, o que também influenciou a leitura dos analistas sobre o futuro regulatório e fiscal do país.

Desempenho das ações setoriais

No lado das empresas, a construtora Direcional liderou as perdas com queda de 9,26%, afetada por resultados trimestrais abaixo do esperado. O setor bancário também sofreu pressão, com Itaú caindo 1,29% e Banco do Brasil recuando 1,78%. Já Magazine Luiza perdeu 4,24% após anunciar parceria com a Shopee, e a Vale seguiu a baixa do minério de ferro, encerrando em queda de 0,45%. O volume financeiro total na B3 atingiu R$40,67 bilhões.