O novo mapa da incerteza corporativa

O ambiente de negócios global atravessa um período de volatilidade sem precedentes. Juros elevados, pressões fiscais e a urgência da adaptação tecnológica criam um cenário onde a segurança jurídica é testada diariamente. Para Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, a complexidade econômica exige que líderes equilibrem rentabilidade e gestão de pessoas com ainda mais rigor.

Nesse contexto, a parte financeira torna-se o elemento mais controlável, enquanto a evolução tecnológica impõe novos desafios estratégicos. A liderança moderna não pode ignorar que a tecnologia liberará tempo para tarefas humanas, mas exige uma redefinição completa de habilidades.

IA e o dilema da formação de talentos

A inteligência artificial (IA) está redefinindo o mercado de trabalho. O Fórum Econômico Mundial estima que 92 milhões de empregos serão deslocados até 2030, com 39% das habilidades essenciais precisando de atualização. Esse movimento gera ansiedade nas equipes, pois a automação acelera processos que antes demandavam anos de especialização.

Honorato questiona: se a IA realiza em horas o trabalho de semanas de especialistas, como formar a próxima geração de talentos? A resposta reside em manter os jovens no centro do processo, usando a tecnologia como ferramenta de apoio, não como substituta total da experiência humana.

Liderança humana em tempos de polarização

Vania Neves, ex-diretora de tecnologia da Vale, alerta que o primeiro passo para o líder é aceitar sua própria obsolescência potencial. O que funcionou no passado não garante sucesso futuro. Márcio Alencar, CEO da Alelo, reforça que a tecnologia deve libertar espaço para diálogo e entendimento, atividades que a máquina não executa com empatia.

A missão mais complexa, segundo Alencor, é prover esperança. Em um mundo de desesperança, o líder precisa apresentar um futuro de desenvolvimento, especialmente para as novas gerações. Isso exige escuta ativa, combatendo a tendência de impor certezas em vez de ouvir possibilidades.

Estratégia e presença no presente

Fernando Brossi, VP da C&A, defende que projetos precisam ser excelentes para avançar. A estratégia deve ser guiada pela escuta do cliente e pela clareza do caminho. Além disso, é crucial monitorar o cenário geopolítico externo, pois a fragmentação global impacta diretamente os negócios locais.

Vania Neves conclui que a melhor forma de lidar com o medo do amanhã é focar no hoje. A coragem para experimentar, aprender com erros e escolher bem os movimentos atuais é o que sustenta a resiliência organizacional em tempos de incerteza.