Crise orçamentária redefine o almoço

O hábito de levar marmita deixou de ser apenas uma alternativa econômica para se tornar padrão de consumo. Segundo a pesquisa Alimentação Hoje 2026, da consultoria Galunion, um terço dos brasileiros que saem de casa entre cinco e sete dias por semana leva comida preparada no lar. O levantamento ouviu 1.057 pessoas em setembro de 2026 e identificou que 68% dos entrevistados consideram a refeição caseira sua principal opção de almoço.

A pressão financeira é o motor dessa transformação. Setenta e quatro por cento dos consumidores relataram redução nos gastos com alimentação fora de casa nos últimos seis meses. As causas variam: 30% apontam preços altos e piora na relação custo-benefício; 27% citam aumento de outras despesas; e 22% priorizam poupança ou investimentos.

O novo mapa competitivo do foodservice

A demanda por refeições prontas não desapareceu, mas migrou de canais. Enquanto restaurantes tradicionais perdem espaço, padarias e supermercados lideram as compras (76%), seguidos por fast-foods e lanchonetes (75%). A CEO da Galunion, Simone Galante, alerta que a equidade competitiva agora inclui a comida feita em casa e os produtos prontos do varejo.

  • Saudabilidade guia escolhas: 71% dos consumidores estão mais atentos à qualidade nutricional.
  • Efeito GLP-1: 38% usam ou têm interesse em medicamentos análogos, buscando porções menores e mais densas nutricionalmente.
  • Linguagem estratégica: operadores devem evitar termos como "para GLP-1" e focar em conceitos como "porção inteligente" e "customização".

Gestão de pessoas lidera preocupações para 2027

No horizonte imediato, a gestão de talentos surge como o maior desafio para o setor. Na pesquisa Tendências do Ecossistema de Foodservice, 69% dos respondentes classificaram a gestão de pessoas como obstáculo crítico para 2027. Vendas e marketing (51%) e o cenário econômico (46%) completam o top três.

Para reverter ou sustentar vendas, redes apostam em promoções e combos (50%), enquanto operadores independentes revisam cardápios e fortalecem canais de delivery e retirada (46%). Apesar dos ajustes, 69% dos operadores afirmam que o faturamento atual supera o mesmo período do ano anterior, com 81% operando com lucro.