Recorde Legislativo sem Paridade Real

O primeiro turno das eleições de 2026 consolidou a maior bancada feminina da história do Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados terá 109 mulheres, um salto de 21% em relação ao quadro atual, enquanto o Senado elegerá 12 novas senadoras, elevando a presença feminina para 22,2%. Esses números representam avanços quantitativos significativos, mas ocorrem em meio a uma queda de 24% no número total de candidaturas femininas registradas.

Barreiras Estruturais e Desigualdade Racial

A representatividade numérica não elimina as desigualdades internas. As mulheres negras continuam sub-representadas nos cargos de maior visibilidade: nenhuma mulher negra foi eleita senadora em 2026, mantendo o histórico de apenas quatro parlamentares negras na Casa desde sua fundação. Além disso, a violência política de gênero cresceu mais de 11 vezes nos últimos quatro anos, atingindo desproporcionalmente mulheres pretas e pardas, que respondem por 53% das denúncias registradas pelo Ligue 180.

Custo Político e Retenção de Talentos

Especialistas apontam que a estrutura partidária falha em oferecer apoio substantivo, limitando recursos e tempo de mídia para candidatas. Esse cenário gera um alto custo político, onde muitas mulheres enfrentam humilhação pública e ameaças à integridade física, levando ao afastamento de novas lideranças. A pesquisadora Hannah Maruci destaca que a desproporção financeira afeta principalmente quem já vive interseccionalidades de raça e gênero.

Impacto na Gestão e Tomada de Decisão

A presença diversificada no poder público altera a pauta de políticas públicas. Especialistas argumentam que a ausência masculina homogênea nas mesas de decisão cria cegueira institucional sobre questões como segurança urbana noturna e saúde da mulher. No entanto, advoga-se que a paridade numérica exige compromisso ativo com direitos históricos, pois a identidade de gênero não garante automaticamente alinhamento ideológico progressista.