Expansão agressiva redefine o skyline

O mercado imobiliário corporativo de São Paulo viveu um momento decisivo no terceiro trimestre de 2026. Dados da JLL apontam que a demanda por espaços de alta qualidade não apenas se manteve, mas se intensificou entre os grandes players. O destaque absoluto foi a locação de aproximadamente 35 mil metros quadrados pelo Nubank em um empreendimento da Cyrela, sinalizando confiança na capital para abrigar sua estrutura operacional.

Recorde histórico do Itaú

Em paralelo, o setor financeiro também marcou presença com força. O Itaú anunciou a ocupação de mais de 90 mil metros quadrados nos Esther Towers. Trata-se da maior locação de lajes corporativas já registrada no país. A complexidade da operação reside no cronograma de entrega: uma torre será finalizada ainda neste ano, enquanto a outra só chegará em 2027, o que explica por parte dessa transação não ter sido contabilizada integralmente no balanço imediato da JLL.

Crescimento da vacância e estoque

Apesar dos recordes isolados, o panorama geral apresenta desafios. A vacância total em São Paulo subiu de 13,1% para 14,1%, impulsionada pela entrada massiva de novos imóveis. Foram adicionados 195 mil metros quadrados de lajes corporativas no período. Esse aumento substancial de oferta pressionou as taxas de ocupação, criando um ambiente onde a escolha do local se torna estratégica para atrair talentos.

O retorno do modelo BTS

A escassez de estoques de alto padrão disponíveis levou especialistas a observarem o ressurgimento do modelo Built to Suit (BTS). Yara Matsuyama, diretora de locações da JLL, destaca que, quando há abundância de imóveis prontos, construir sob medida perde sentido. Contudo, diante da limitação atual de opções premium, as empresas estão voltando a encomendar projetos personalizados para atender necessidades específicas de infraestrutura e cultura organizacional.

Divergência regional clara

Não é tudo igual na cidade. Enquanto a média geral sobe, regiões como Faria Lima e Avenida Juscelino Kubitschek mantêm níveis de vacância abaixo de 10%. Essas áreas concentram edifícios Triple A e continuam sendo polos preferenciais. Para líderes empresariais, o dado é claro: a valorização do ativo imobiliário está diretamente ligada à localização premium e à qualidade do imóvel, fatores que resistem às oscilações macroeconômicas.