Do sonho ao perrengue

Juliana Bernardo e Ramon Silva abriram uma pizzaria em São Vicente, litoral paulista, com menos de um ano de relacionamento. O investimento inicial foi modesto: R$ 3 mil de entrada e parcelas mensais iguais. A realidade, porém, superou as expectativas negativas. O estabelecimento não gera caixa suficiente para cobrir custos fixos, obrigando os sócios a usarem recursos pessoais para manter as portas abertas.

A força das redes sociais

O pedido de socorro postado no TikTok acumulou mais de 270 mil visualizações. O apelo funcionou: o movimento aumentou drasticamente, tanto que a equipe precisou fechar mais cedo devido ao esgotamento de insumos. A falta de capital de giro impede compras em volume, limitando a margem de lucro e a capacidade de renegociar com fornecedores.

Gestão familiar exige limites claros

Especialistas alertam que misturar vida amorosa e negócios é uma receita para conflitos. Lelia Toledo, da PUC-Rio, recomenda separar contas pessoais das empresariais e definir pró-labore desde o início. Annaysa Kamiya, da ESPM, sugere testar a parceria em projetos menores antes de assumir compromissos maiores, alinhando expectativas sobre crescimento e escala.

Planejar a saída protege o ativo

Paula Sauer, da FIA Business School, enfatiza a importância de discutir cenários de ruptura antecipadamente. Definir quem fica com a empresa ou como comprar a participação do outro evita ressentimentos futuros. Além disso, não colocar todo o patrimônio pessoal como garantia reduz o risco de endividamento familiar caso o negócio enfrente crises estruturais.