Atenção à armadilha da agilidade

A recuperação extrajudicial é frequentemente vendida como o atalho ideal para empresas em dificuldade financeira. No entanto, Claudio Montoro, professor do Insper e especialista em insolvência, alerta que esse mecanismo não é panaceia. A simples reorganização do passivo não garante a sobrevivência do negócio se as causas raiz da crise forem ignoradas.

Diagnóstico antes da negociação

O primeiro passo deve ser analisar a liquidez e a relação entre custos operacionais e faturamento. Se a empresa não gera caixa suficiente para cobrir despesas correntes, adiar pagamentos apenas transfere o problema. O foco precisa estar na capacidade real de pagamento, não na forma como as dívidas são estruturadas.

Crise operacional exige mudança profunda

Quando o endividamento está ligado a falhas no modelo de negócio, a renegociação é insuficiente. Casos como Casas Bahia, St Marche e Grupo Toky demonstram que a estrutura operacional precisa ser revista. Mudanças no portfólio ou nos processos produtivos demandam tempo e investimento, elementos que a via extrajudicial sozinha não provê.

O perfil dos credores importa

A via extrajudicial tende a funcionar melhor quando o endividamento é concentrado em credores experientes, capazes de negociar complexidades sem judicializar o conflito. Para negócios com múltiplas partes interessadas ou dívidas dispersas, a previsibilidade e força coercitiva da recuperação judicial podem ser necessárias.