Crise estrutural do crédito rural

O agronegócio brasileiro enfrenta um momento crítico na concessão de crédito. Dados da Serasa Experian indicam que os pedidos de recuperação judicial no agro cresceram 21,9% no primeiro trimestre de 2026, totalizando 474 processos. Para produtores rurais com personalidade jurídica, o salto foi ainda mais abrupto: 73,5%, com 196 novos pedidos.

A inadimplência como alerta vermelho

Além dos processos judiciais, a inadimplência superou 8,8% da população rural, considerando dívidas vencidas há mais de 180 dias. Esse aumento de 1,2 ponto percentual em relação ao ano anterior sinaliza que a proteção do credor não pode ser reativa. A estruturação da operação deve antecipar riscos antes da liberação dos recursos.

Garantias reais versus papel

Especialistas alertam que a presença de uma garantia no contrato é insuficiente. É necessário verificar titularidade, gravames anteriores e prioridade entre credores. Instrumentos como Cédulas de Produto Rural e alienação fiduciária exigem due diligence rigorosa sobre a estrutura patrimonial, que muitas vezes mistura pessoas físicas e jurídicas.

Gestão contínua do risco

A advocacia preventiva no setor rural não busca eliminar o risco, mas mapeá-lo. Alterações societárias, novas dívidas ou mudanças na produção podem alterar a exposição financeira durante a vigência do contrato. O acompanhamento jurídico contínuo é essencial para preservar a posição do credor caso o cenário econômico se degrade.