Antecipação é a nova regra

A reforma tributária brasileira impõe um novo padrão de exigência para a governança corporativa, com efeitos práticos já previstos para janeiro de 2027. A transformação não é apenas técnica; ela reconfigura a estrutura de custos e a estratégia de precificação de empresas, especialmente no setor de serviços e franquias. Ignorar essa mudança significa expor a margem de lucro a riscos sistêmicos.

O papel estratégico da liderança

No evento Somos Multi 2026, realizado em São Paulo, ficou claro que a gestão tributária deixou de ser uma função exclusiva do departamento fiscal. Líderes como Antonio Henrique Brum, multifranqueado de marcas como Adidas e Reserva, defendem que a interpretação das novas regras deve envolver todo o time gestor. Delegar apenas ao contador é um erro estratégico que pode comprometer a segurança jurídica e financeira do negócio.

Alinhamento entre franqueadora e franqueado

Para o modelo de franquias, a complexidade aumenta devido à necessidade de harmonizar os repasses de tributos entre as partes. André Rieger, multifranqueado de O Boticário, compara a adaptação operacional a "trocar a roda com o carro em movimento". Essa metáfora ilustra a urgência de ajustar fluxos de caixa e processos internos sem interromper a geração de receita, mantendo a saúde financeira intacta durante a transição.

Rigor analítico e profissionalização

Bruno Arena, representante da Casa do Construtor, reforça que a era da informalidade contábil acabou. A sustentabilidade do negócio depende de rigor técnico na análise de dados financeiros e da profissionalização das operações. Sem essa base analítica, as empresas perdem a capacidade de tomar decisões ágeis diante das incertezas regulatórias.

Enquadramento versus planejamento

José Carlos Araujo, da BWA Global, estabelece uma distinção crucial: escolher o regime tributário correto (enquadramento) não substitui a necessidade de um planejamento fiscal contínuo. A adequação estrutural deve ser vista como uma ferramenta de eficiência operacional, não como uma medida punitiva ou reativa. Empresas que integrarem essa visão desde agora terão vantagem competitiva quando as novas regras entrarem em vigor.