A realidade do retrabalho criativo

Uma em cada seis peças de marketing produzidas por empresas precisa ser refeita. Esse é o dado alarmante revelado por um levantamento exclusivo da Deskfy, plataforma de gestão de marketing para redes e franquias, obtido pela Forbes Brasil. A pesquisa analisou mais de 31 mil solicitações de peças criativas entre janeiro e junho deste ano.

O estudo identificou que 5.470 demandas precisaram passar por ajustes ou correções após a primeira entrega. Isso representa uma taxa de retrabalho de 17,2%, um indicador crítico que impacta diretamente a eficiência operacional e os custos das equipes de comunicação.

O custo oculto das aprovações lentas

Embora metade dos ajustes seja resolvida em até três horas e meia, a média geral de tempo gasto com refação chega a impressionantes 69 horas. Esse atraso não é causado apenas pela complexidade técnica das alterações, mas principalmente por gargalos burocráticos.

Demandas frequentemente ficam paradas por dias ou semanas na etapa de aprovação interna. Para líderes de negócios, isso significa que a velocidade de resposta ao mercado é comprometida antes mesmo que o material final seja entregue ao cliente.

Quem sofre mais com erros de processo

A frequência das correções varia drasticamente conforme o segmento econômico. Instituições de ensino lideram o ranking de retrabalho, com 29,9% das peças sendo refeitas. O setor de lazer, incluindo hotelaria e turismo, ocupa a segunda posição com 23,8%.

Victor Dellorto, CEO da Deskfy, explica que a educação possui regulamentações rígidas e regras acadêmicas mutáveis, enquanto o turismo lida com a volatilidade constante das tarifas. Em contraste, vestuário e combustíveis apresentam índices significativamente menores, abaixo de 10%.

Gestão é a chave para reduzir perdas

Empresas com processos formais tendem a manter o indicador de retrabalho abaixo de 10%. No entanto, 17,3% das organizações enfrentam índices superiores a 30%, e 5,8% chegam a refazer mais da metade das peças produzidas. A falta de padronização, briefings incompletos e desalinhamento estratégico são as principais causas.

Para empreendedores, a lição é clara: investir em fluxos de trabalho estruturados e ferramentas de gestão não é apenas uma questão de organização, mas de sobrevivência financeira. Reduzir o retrabalho libera recursos humanos e financeiros para atividades que realmente geram receita.