Da clínica para o laboratório

Daniely Leal, fisioterapeuta pélvica e professora universitária, identificou uma lacuna no mercado ao perceber que os sabonetes convencionais agrediam a saúde íntima das pacientes. Em vez de apenas limpar, o novo produto precisava nutrir a microbiota vaginal. Essa percepção clínica foi o motor para iniciar um doutorado em 2022, resultando na criação da startup Autris.

Ciência aliada à sustentabilidade amazônica

A pesquisa isolou o Lactobacillus plantarum, bactéria benéfica presente tanto no canal vaginal quanto na polpa do cacau. A inovação está em utilizar o resíduo da produção de chocolate como base para o sabonete probiótico. O desenvolvimento contou com suporte técnico da Embrapii G-Bioforest e do SENAI de Goiás, garantindo a viabilidade do microrganismo na formulação.

Validação clínica e estrutura operacional

O produto passou por rigorosos testes dermatológicos e ginecológicos, obtendo registro de Grau 2 na Anvisa. Ensaios clínicos mostraram estabilização da flora bacteriana e alívio de sintomas como candidíase e ressecamento. A biomassa é produzida em Santarém e o envase terceirizado em Goiás, com capacidade inicial de 5 a 10 litros mensais, facilitando a escala sem dependência extrativista direta.

Estratégia de vendas e projeções financeiras

Com investimento inicial de R$ 50 mil e prêmios da Finep e Sinapse, a Autris planeja vender 10 mil unidades no primeiro ano, faturando R$ 700 mil. O preço ao consumidor será de R$ 79,90. A distribuição ocorrerá via e-commerce próprio, marketplaces e canais B2B com clínicas especializadas. A equipe, totalmente feminina, já inicia o desenvolvimento de um desodorante com a mesma tecnologia.