Da desistência ao retorno fatalista

A história de Sissi Freeman começou com um não. Aos 24 anos, ela recusou uma proposta de trabalho em Chicago para atender ao chamado do pai, Christopher Freeman, que havia adquirido a Granado. O plano inicial era apenas seis meses de consultoria para vender a empresa carioca fundada em 1870. Em vez disso, ela ficou.

O que parecia uma transição temporária tornou-se uma carreira definitiva. Sissi assumiu o desafio de rejuvenescer uma marca carregada de memória afetiva, mas estagnada comercialmente. Sua decisão de permanecer no Brasil marcou o início de uma transformação estrutural no grupo familiar.

Crescimento exponencial e expansão global

Quando Sissi assumiu a direção de marketing e vendas em 2004, a receita do grupo girava em torno de R$ 60 milhões. Doze anos depois, os números ultrapassaram a marca de R$ 2 bilhões. Esse salto foi impulsionado por uma estratégia agressiva de modernização e internacionalização.

A entrada do grupo espanhol Puig como sócio minoritário em 2006 trouxe capital e expertise global. Hoje, a Granado opera com mais de 2 mil funcionários e mantém presença física em países como França, Reino Unido, Portugal e Estados Unidos, levando a perfumaria brasileira para mercados exigentes.

Inovação disruptiva e cultura organizacional

A renovação da marca não se limitou ao produto. Sissi implementou parcerias estratégicas, como a collab com a cafeteria We Coffee, e criou experiências imersivas, incluindo uma sorveteria que se tornou fixa no Rio de Janeiro e em São Paulo. A abordagem focou em conectar a tradição aos hábitos das novas gerações.

Dentro da organização, a dinâmica entre Sissi e seu pai evoluiu de conflitos para complementaridade. Enquanto ele traz a visão financeira conservadora de longo prazo, ela aplica criatividade e agilidade operacional. Essa sinergia permitiu que o grupo adquirisse outras marcas, como a Phebo e a Care, ampliando o portfólio de beleza e cuidados pessoais.