Da escassez à inovação social

A experiência de viver dias sem água encanada no bairro Loiola, em Lagarto (SE), foi o catalisador para a criação da socialtech Águas Resilientes. Fundada em 2018 pelo engenheiro florestal Erleyvaldo Bispo, a organização nasceu da necessidade urgente de transformar a realidade de comunidades que sofrem com a falta de saneamento básico.

Bispo, hoje com 29 anos, define-se como um sobrevivente da falta de água no Brasil. A jornada começou após uma pergunta provocativa no Fórum Mundial da Água: "O que você está fazendo para mudar isso?". Essa indagação direcionou seus estudos e levou à formalização do negócio, que hoje projeta faturar R$ 450 mil neste ano.

Tecnologia e metodologia participativa

O núcleo da solução é o sistema Águas Mil, capaz de captar água da chuva sem depender de telhados convencionais. O equipamento armazena até 20 litros e filtra a água para consumo humano, possuindo certificação internacional. Além da hardware, a empresa desenvolveu uma plataforma com inteligência artificial que envia alertas climáticos aos beneficiários quando a previsão de chuva ultrapassa 40%.

  • Captação autônoma de água da chuva;
  • Filtragem com padrão internacional;
  • Monitoramento em tempo real via IA.

A atuação não se limita ao produto. A Águas Resilientes emprega uma metodologia participativa com seis etapas, desde a imersão nas comunidades até a mensuração de resultados. Essa abordagem garante que as soluções sejam adaptadas às reais necessidades locais, criando um modelo replicável e sustentável.

Estratégia financeira e expansão

Até 2023, a iniciativa dependeu majoritariamente de editais e recursos filantrópicos, enfrentando dificuldades para construir redes fora do eixo Rio-São Paulo. A virada estratégica ocorreu com a reestruturação jurídica para associação e a busca por contratos privados. Investimentos do Fundo Casa Socioambiental e do UMI Fund, somados ao prêmio Youth4Climate, validaram o modelo de negócio.

Com cinco colaboradores atuais, a empresa planeja levar seu sistema para o Complexo do Alemão e Morro da Providência, no Rio de Janeiro. O objetivo é impactar cerca de 50 famílias inicialmente, com planos de longo prazo para atuar em Salvador, Alagoas e na Amazônia, consolidando-se como referência global em segurança hídrica.