Vendas acima da meta, mas abaixo do esperado

O varejo brasileiro registrou avanço de 0,1% em agosto sobre julho na série ajustada sazonalmente. O resultado foi inferior à projeção de mercado, que indicava alta de 0,7%, e também abaixo da expansão de 0,4% observada na comparação anual. Em julho, o setor havia recuado 0,8%, confirmando a volatilidade recente.

Setores divergem: tecnologia vs. eletrodomésticos

A performance não foi uniforme. Destaques positivos vieram de equipamentos de informática (+6,3%), artigos pessoais (+1,4%) e combustíveis (+1,1%). Por outro lado, móveis e eletrodomésticos despencaram 4,2%, enquanto supermercados registraram leve queda de 0,3%. Essa bifurcação revela restrições orçamentárias específicas.

Poder de compra parado nas contas

Cristiano Santos, gerente de pesquisa do IBGE, destacou que o aumento do crédito pessoal e a desinflação evitaram nova retração. Contudo, ele alertou que esse poder aquisitivo extra está sendo direcionado ao pagamento de dívidas ou à poupança, e não ao consumo imediato. Para o gestor, trata-se de estabilidade, não de crescimento estrutural.

Impacto no PIB e juros

A combinação com dados industriais e de serviços fracos levou economistas a revisar o PIB do terceiro trimestre de 2026 para -0,2%. Neste contexto, o Banco Central deve cortar a Selic pela sexta vez consecutiva em novembro, mantendo a taxa em 13,75%, numa tentativa de sustentar a atividade econômica sem aquecer a inflação.