A nova era da competitividade agro

O agronegócio brasileiro deixou de ser apenas um produtor de commodities para se tornar uma potência tecnológica e logística. Com 25,13% do PIB em 2025, o setor somou R$ 3,20 trilhões, segundo estimativas da CNA e Cepea. A projeção é de crescimento de 19,5% na produção de grãos até 2034/2035. No entanto, potencial não garante liderança automática.

Enquanto propriedades avançam com agricultura de precisão e telemetria, a infraestrutura nacional ainda engasga. Estradas precárias, portos saturados e falta de armazenagem encarecem a cadeia. A pergunta central para os líderes empresariais é como manter a inovação quando o ambiente externo permanece volátil.

Estabilidade regulatória como insumo estratégico

Não basta produzir bem; é preciso planejar o longo prazo. A previsibilidade regulatória deve ser tratada como insumo crítico, tão vital quanto sementes ou maquinário. Mudanças abruptas nas regras ambientais ou tributárias geram incertezas que travam investimentos em expansão e modernização.

O produtor rural e o gestor de negócios precisam de segurança jurídica para tomar decisões financeiras robustas. Sem transparência nas normas, o planejamento estratégico fica comprometido, reduzindo a capacidade do país de competir por mercados exigentes como Europa e Ásia.

Infraestrutura e conectividade são bases reais

A digitalização do campo depende de internet confiável. A conectividade no interior não é luxo, mas infraestrutura básica para gestão de riscos e rastreabilidade. Paralelamente, a logística precisa de continuidade política. Corredores de exportação eficientes reduzem custos e aumentam a margem de lucro, beneficiando toda a economia.

Crédito acessível e sustentabilidade alinhada

O financiamento rural deve respeitar os ciclos biológicos e climáticos das atividades. Juros altos e prazos curtos sufocam a renovação tecnológica. Um ambiente macroeconômico sólido, com responsabilidade fiscal, é pré-requisito para juros favoráveis. Além disso, a rastreabilidade fortalece a credibilidade internacional, unindo produção e conservação ambiental.

O papel do empreendedor na cobrança política

A diversidade regional exige políticas públicas adaptadas, coordenadas pelo Executivo com apoio do Congresso e empresas. O setor privado tem poder de pressão para cobrar agendas concretas. Transformar produtividade em prosperidade exige que as condições do campo estejam à altura do século 21.