Da cozinha da avó à indústria global

A Alfama Foods redefiniu o mercado de food service ao transformar uma receita caseira em um modelo industrial escalável. Originária do Oeste do Paraná, a empresa nasceu de um armazém que comercializava vinhos e azeites, mas foi a produção de pratos típicos portugueses pela avó Maria Gabriela que mudou o rumo dos negócios.

O pivô estratégico ocorreu entre 2013 e 2014, quando os irmãos Bruno e Gabriel André identificaram uma lacuna crítica no fornecimento de carnes cozidas e desfiadas para redes de franquias. A decisão de abandonar temporariamente as unidades de varejo para focar na B2B provou ser acertada, consolidando a marca como referência em proteínas porcionadas.

Escala operacional e tecnologia

Hoje, a operação conta com duas fábricas estratégicas. Em Cascavel (PR), a planta produz 620 toneladas mensais de carnes desfiadas. Já a unidade de Louveira (SP), inaugurada em janeiro, foca em proteínas in natura com tecnologia IQF, atingindo 200 toneladas mensais e expandindo para até 1,2 mil toneladas.

Para gerir essa complexidade, a empresa utiliza o DataSense, sistema proprietário integrado via API com mais de cem distribuidores. Essa infraestrutura digital permite atender 30 mil clientes mensais com precisão, otimizando a cadeia de suprimentos e reduzindo desperdícios na ponta de venda.

Expansão internacional e governança

Com receita de R$ 255 milhões em 2025 e projeção de R$ 385 milhões para este ano, a Alfama investe mais de R$ 70 milhões na primeira fábrica fora do Brasil. Localizada em Santarém, Portugal, a nova planta visa eliminar barreiras sanitárias e operar com matéria-prima local combinada a commodities brasileiras.

Paralelamente, a estrutura societária se prepara para registrar-se na CVM como companhia aberta na Categoria B até 2027. O movimento visa viabilizar captação via debêntures e notas comerciais, preparando o terreno para futuros investimentos ou IPO, enquanto mantém foco na estabilização das operações atuais.