Expansão acelerada no mercado local

A BlackRock projeta um crescimento de 30% na base de ativos no Brasil para 2027. Segundo Bruno Barino, CEO da empresa no país, a estratégia não depende do resultado eleitoral, mas sim da migração de capital para o exterior.

O executivo confirmou que a operação brasileira já registra expansão entre 30% e 35% neste ano, superando os 12% de 2025. A maior parte dos recursos administrados, cerca de 90%, está vinculada a aplicações offshore.

Alta demanda por ETFs e produtos passivos

O interesse crescente por fundos negociados em bolsa (ETFs) é um pilar central dessa projeção. Dados da B3 mostram que o valor em custódia de pessoas físicas saltou 62% no último ano, atingindo R$ 35,1 bilhões.

Barino observa que os brasileiros estão buscando ativos nos extremos: desde produtos passivos, como o iShares Ibovespa (BOVA11), até investimentos alternativos especializados, seguindo tendência global.

Infraestrutura e inteligência artificial

Além da gestão de ativos, a BlackRock atua fortemente em tecnologia e advisory institucional. O foco em infraestrutura inclui portos, aeroportos, energia e data centers, segmento crucial para a corrida por inteligência artificial.

O executivo acredita que o Brasil pode se tornar um hub de IA para a América Latina devido à sua capacidade energética e tamanho de mercado, embora afirme que "o tempo está passando" para capturar essa oportunidade.

Desafios estruturais e competitividade

Para atrair investimentos transformacionais de longo prazo, Barino aponta a necessidade de reformas fiscais profundas e uma política de estado coordenada. A competição é global e exige marcos regulatórios estáveis.

Apesar das incertezas domésticas, a percepção externa sobre o Brasil permanece positiva. A capacidade de competir por grandes cheques internacionais dependerá menos de quem vence as eleições e mais da profundidade das mudanças econômicas.