Barreira comercial entra em vigor

A partir de 1º de outubro, a China implementará uma sobretaxa de 55% sobre a carne bovina brasileira que ultrapassar a cota anual de 1,1 milhão de toneladas. O limite foi atingido nesta quarta-feira (30), segundo o Ministério do Comércio chinês. Com a alíquota base de 12%, o custo total de entrada para volumes excedentes salta para 67%, neutralizando a vantagem competitiva do produto nacional.

Impacto direto no agronegócio

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima uma redução de 10% no volume total exportado pelo Brasil em relação a 2025. Essa projeção considera não apenas as restrições chinesas, mas também medidas recentes da União Europeia. Para os gestores do setor, o cenário exige ajuste rápido de portfólio e diversificação de mercados para mitigar perdas financeiras significativas.

Falha na negociação com Uruguai

O governo brasileiro tentou contornar o problema permitindo o uso de parte da cota ociosa do Uruguai. No entanto, Pequim rejeitou a proposta. A transferência de saldo entre países sul-americanos violaria a lógica de proteção à pecuária local chinesa. Sem essa brecha, o Brasil fica restrito estritamente ao seu teto de importação, perdendo acesso marginal ao maior consumidor global.

Vantagem competitiva anulada

Antes da tarifa extra, a carne brasileira chegava ao atacado chinês custando cerca de 38 a 42 yuan por quilo, bem abaixo do custo de produção local (acima de 55 yuan). Com a nova carga de 67%, o preço de entrada salta para 60 a 65 yuan por quilo. Isso iguala ou supera os preços internos, eliminando o atrativo econômico para os compradores chineses e pressionando as margens dos exportadores brasileiros.

Contexto macroeconômico

Entre 2016 e 2025, a China absorveu 8,2 milhões de toneladas de carne bovina brasileira, movimentando US$ 42,3 bilhões. O país responde por mais de 40% do suprimento externo chinês. A medida faz parte do sistema anunciado em janeiro para garantir a autossuficiência em carnes vermelhas em 70% a 75%. Produtores chineses, já operando com prejuízo, veem na barreira uma forma de estabilizar o mercado interno pressionado pela liquidação de rebanho.