Queda brusca na moagem
A média semanal de cana processada nas usinas do centro-sul despencou para 76,2 mil toneladas na última semana de setembro. O dado, divulgado pela consultoria Datagro, representa uma queda de quase 28% em relação às 105,8 mil toneladas registradas no início de agosto.
Bruno Wanderley de Freitas, economista sênior da entidade, confirma que as chuvas intensas prejudicaram o trabalho no campo. A previsão é de continuidade das precipitações, mantendo a pressão sobre a safra atual.
Estoque nos campos e El Niño
Estima-se que cerca de 35 milhões de toneladas de cana permaneçam nos campos, destinadas ao processamento apenas no próximo ano, por volta de março. O fenômeno climático El Niño tornou o inverno mais chuvoso em 110 anos na região de Piracicaba, segundo a Universidade de São Paulo.
Gargalos logísticos nos portos
O problema não se limita à colheita. Michael McDougall, consultor do setor sucroalcooleiro, descreve uma "cascata de problemas" causada pelo clima. Os portos de Santos e Paranaguá enfrentam interrupções recorrentes nos embarques.
Como os berços de carregamento são abertos, as operadoras param o serviço quando chove para evitar a contaminação do produto. No trimestre julho-setembro, Santos registrou 35 dias parados e Paranaguá, 30.
Impacto nos preços globais
A combinação de menor oferta brasileira e dificuldades na Europa e Ásia elevou os preços do açúcar em até 5% em Nova York. Para líderes empresariais, o cenário reforça a necessidade de gestão de risco climático e diversificação logística.


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