Clima dita estratégia das usinas

O excesso de chuvas no centro-sul do Brasil está redefinindo as estratégias das usinas de cana-de-açúcar. Diferente do esperado pelo mercado, que aguardava um aumento na produção devido à valorização de 21% da commodity em agosto, a realidade agronômica impõe limites rígidos. A alta umidade reduz a concentração de sacarose na planta, tornando a colheita menos eficiente para o adoçante.

Desvio natural para o etanol

Com a qualidade da cana comprometida para fins alimentícios, as indústrias tendem a destinar mais volume à produção de etanol. O combustível mantém seu valor mesmo com menor teor de açúcar, enquanto o lucro potencial do adoçante fica bloqueado pela ineficiência operacional. Analistas confirmam que o foco deixou de ser o preço de mercado para se tornar puramente climático.

Impacto na oferta global

O Brasil é determinante para o abastecimento mundial. Cada ponto percentual direcionado ao açúcar representa cerca de 750 mil toneladas adicionais no mercado. Com a safra atual já apresentando baixa proporção de açúcar (42,5% até julho), a restrição climática pode elevar os preços globais ainda mais, caso não haja reposição de oferta.

Revisão de estimativas para baixo

Corretoras como StoneX e GSX Commodities revisaram suas projeções. Estima-se que a produção total do centro-sul fique abaixo das 38 milhões de toneladas métricas, bem distante das expectativas iniciais de 40 milhões. Novas chuvas previstas para outubro podem agravar os atrasos na moagem e consolidar esse cenário de escassez relativa.