A conta cara dos juros
O setor público gastou R$ 1,18 trilhão com juros nos últimos 12 meses. Esse valor equivale a 8,86% do PIB, uma distância de 14 vezes em relação ao déficit primário de 0,62%. A dívida bruta subiu para 82,9% do PIB, demonstrando que o custo do serviço da dívida é o principal motor da expansão do endividamento.
Relação entre juros e crescimento
A regra básica indica que a dívida só se estabiliza quando o juro seguro fica abaixo do crescimento econômico. Com a Selic em 13,75% e IPCA-15 em 4,47%, o juro real gira em torno de 9%. Do outro lado, o foco projeta crescimento de apenas 1,86% para 2026. Essa divergência mantém a pressão sobre as contas públicas.
Risco fiscal na sua carteira
Os R$ 1,18 trilhão pagos não desaparecem; viram renda para credores, incluindo detentores de Tesouro Direto. Quando a confiança no pagamento cai, os títulos longos sofrem marcação a mercado negativa. O investidor tem interesse direto na sustentabilidade dessa dívida, pois ela remunera seu capital.
Sinalização do mercado
O Tesouro IPCA+ 2050 caiu para 6,93%, mas ainda cobra quase 7% acima da inflação por 24 anos. Novos cortes da Selic têm efeito limitado se a inflação esperada sobe ou se os juros americanos permanecem altos. Acompanhar os juros longos revela mais sobre a confiança do mercado do que promessas políticas.




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