Da pesquisa à produção

O projeto Fio Migrante nasceu da interseção entre academia e ativismo. Idealizado pela comunicadora boliviana Tatiana Azeñas, a partir de sua tese de doutorado na USP, o coletivo se consolidou em Guarulhos (SP) como um espaço de acolhimento e geração de renda. Fundado em abril de 2025, reúne 23 artistas de origens diversas, incluindo Bolívia, Venezuela, Haiti e Afeganistão.

Modelo de negócios inclusivo

A estrutura econômica do grupo segue rigorosamente os princípios do comércio justo. Diferente de modelos tradicionais que retêm margens elevadas, aqui a maior parte da receita das vendas fica com a artesã autora da peça. Itens menores, como marcadores de livros, partem de R$ 30, enquanto peças complexas ultrapassam os R$ 60.

Vendas diretas e visibilidade

Para democratizar o acesso ao mercado, as transações ocorrem via Instagram e WhatsApp, eliminando intermediários desnecessários. O grupo também participa de feiras relevantes, como a Feira do Empreendedor do Sebrae, ampliando seu alcance para consumidores que valorizam a narrativa por trás do produto.

Impacto social mensurável

Além do faturamento, o coletivo promove integração social e linguística. Professores relatam aumento na confiança e participação de alunas em aulas de português. A dinâmica semanal combina bordado com práticas corporais e tradução entre pares, facilitada por integrantes bilíngues.

Expansão e reconhecimento

Com apoio da Lei Aldir Blanc e da estilista Mayumi Otake, o Fio Migrante prepara uma coleção autoral conceitual para lançamento em 2027. O investimento inclui a produção de um documentário, posicionando as peças como embaixadoras culturais e não apenas como mercadorias.