O mercado de vinho no Brasil vive um momento de expansão histórica.

Em 2025, o setor movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões, consolidando-se como uma das categorias mais dinâmicas do varejo alimentício. Um marco simbólico foi ultrapassado: o consumo per capita brasileiro superou os 3 litros por habitante ao ano. Embora ainda distante de potências como a Argentina (30 litros), o ritmo de crescimento indica uma maturação acelerada do público local.

A feira profissional como termômetro do varejo

A próxima edição da ProWine São Paulo, nos dias 6 a 8 de outubro, ocupará dois pavilhões do Expo Center Norte pela primeira vez. Com mais de 2 mil produtores de 43 países, o evento é B2B puro. Segundo Malu Sevieri, diretora da feira, as decisões tomadas nesses três dias refletem-se nas gôndolas dos supermercados três meses depois. Em 2025, foram negociados aproximadamente R$ 250 milhões durante o evento, com projeção de dobrar esse valor no pós-feira.

Mudança de perfil: Brancos e Zero Álcool lideram

A preferência do consumidor brasileiro está se diversificando. Os vinhos brancos registram o maior crescimento percentual, impulsionados pelo clima tropical e pela culinária nacional, enquanto os tintos apresentaram leve retração de 1,4%. Outra tendência forte é a categoria de baixo teor alcoólico ou zero álcool, que saiu de nicho especializado para presença comum em grandes redes varejistas.

Impacto do Mercosul e abertura internacional

O acordo de zeramento tarifário entre Mercosul e União Europeia até 2034 tem atraído produtores europeus com agressividade renovada. França, Espanha e Portugal aumentaram sua presença física e digital na feira. Diferente de mercados tradicionais onde o consumo é majoritariamente doméstico, o Brasil importa rótulos globais, buscando novas origens, incluindo Champagne e regiões alemãs antes pouco representadas.